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9/9/2008 23:49:00
Chill-Art: Interculturalidade na cidade BOOM

Luciano Sallun

A chegada ao Boom Festival é sempre espantosa e atraente, nesta edição o festival português não apenas surpreendeu as expectativas, mas também os seus próprios conceitos interculturais e de desenvolvimento sustentável, além de atrair o maior público da história do festival.

Foram oficialmente 23 mil pessoas, tirando os intrusos e invasores. Em alguns momentos sentimos que estamos em uma pequena aldeia, em outros sentimos que vivemos em uma cidade cosmopolita ou mesmo dependendo da percepção, ainda podemos sentir-se em um planeta alienígena.

Ainda no espanto da chegada vemos que o primeiro dia de estadia serve apenas para entender o espaço, os caminhos dos stages e as melhores formas para circular.



Quatro stages expressivos, áreas alternativas e ainda um teatro, incrivelmente estruturado para unir o clima do teatro com a naturalidade de um festival. Ao assistir o malabares com bolas de contato, sentei e devaneei.

Alem do Teatro que foi uma grande novidade no Boom, o Groove Beach também estreou em grande estilo, levando o público do dance floor para o som de muitas vertentes dançantes pouco conhecidas nos festivais, como funky e dubstep.

O Ambient Forest estava mais modesto este ano, claro, para quem foi em 2006, edição passada, pode entender melhor o porquê, já que naquele ano o Ambient estava de um nível inigualável.

Em frente ao chill out logo pode chegar a Liminal Village, com ecocentro, biblioteca e voluntariados com projetos sociais na áfrica, com direito a muita informação ecológica da vida planetária. Ainda tivemos palestras, cinema, caleidoscópio instalação e oficinas.

Por fim podemos dizer sobre o stage que a meu ver, podendo claro ter discordâncias, mas musicalmente e conceitualmente foi lá que aconteceu tudo de mais apurado e profundo. O Sacred Fire é um palco noturno para bandas e lives alternativos. Também se apresentavam entre uma banda e outra, grupos medievais de musica tradicional do norte de Portugal com tambores e gaita de foles, dança de personagens. Além da fanfarra de metais e palhaços.

Antes do Sacred Fire temos também a Healing Área, onde tivemos meditação, bio-dança, yoga e vivencias corporais, entre outras atividades.

Ainda podíamos ver as novidades no Daily Dragon, bem como as mudanças de lineup ou mesmo fotos de um dia anterior e noticias dos próximos dias. Este jornal teve três edições com freqüência alternando dia sim dia não.

O Boom Festival é um Festival multicultural e onde podemos trocar não apenas com os artistas e musica, mas também um uma gama gigante de informações extra-musicais e artísticas. E podemos dizer que talvez uma das maiores trocas e aprendizado seja a fusão de culturas, línguas, culturas dentro da mesma consciência e respeito. Notamos a todo momento a admiração e respeito pela cultura e pais do outro. Essa troca de energia, conhecimento, informal e natural, gera uma nova maneira de sentir o mundo, não pelo o passaporte, mas sim pela nova consciência global, da união dos povos e da consciência planetária dentro do cosmo e da “pacha mamma”, a nave mãe agradece.

O Boom Festival teve sete oficiais zonas, quatro stages de musica e três áreas de outras artes e atividades diversas. Vemos algumas deles abaixo com maiores informações e detalhes.



AMBIENT FOREST

O Ambient Forest poderia se dizer que era o chill out do festival, para descansar e ouvir boa musica com tranquilamente. Com diversos djs e artistas tivemos destaques no live português Zen Baboom, o Balance e ainda o live do Ambient Inages que tocou após meu dj set nesta área. Não estava sozinho do Brasil lá, tivemos também o live do Trotter (Soneca) que foi mostrar que no Brasil temos um live act brasileiro de alta qualidade de produção com bom trip hop e groove.



SACRED FIRE

Este ano o Sacred Fire teve atrações de muita qualidade. Tais atrações com grupos de estilos diversos, porem todos com algo em comum, principalmente, o que mais importa na arte, que é a qualidade e criatividade experimental. Foi o único Stage totalmente criativo e autoral. Logo de inicio podemos contar com o grupo multi-étnico residente de Barcelona, mas com músicos de vários paises, inclusive o percussionista brasileiro, tocando um ótimo espetáculo com a Barcelona Afro Beat Internacional Orchestra. Artistas como Velhas Gaiteiras, grupo português de musica medieval com gaita de fole colocou todos a dançar. Os caras do Gocoo do Japão, usaram e abusaram dos taikos (tambor japonês) deixando todos impressionados com a performance e os grooves fortes dos tambores. Tivemos a cantora portuguesa Teresa Gabriel e logo depois nos com o Pedra Branca, o eclipse lunar de cenário estava fenomenal e o concerto foi maravilhoso. O fogo sagrado era uma grande fogueira no meio do publico e nele sempre tinham folias com gaitas e tambores medievais, danças da tradição do norte de Portugal e fanfarra de sopros e caixas para animar os intervalos dos concertos, a troca das bandas. O brutal tocador de didgeridoo australiano atacou com seu projeto Wild Marmelade quebrando tudo no didgeridoo e bateria. Ainda tivemos mais portugueses com o grupo Yamanjazz, fazendo jazz fusion dos mais experimentais, ótima banda, e o grupo Blasted Mechanism que esta em alta em Portugal, com suas fantasias e mascaras.



GROOVE BEACH

O novo stage para dançar foi um sucesso no festival também, poderia dizer que junto ao Sacred Fire e Theatroom foram os pontos fortes do festival, com um lineup variado entre prog, electro, funky, disco, breaks, raga, dubstep, drum n’ bass e outros sons. O dj Alquimix e o dj Wash do Brasil foram ótimos representantes nacionais, já o dj e produtor Basement Freaks da Grécia marcou tocando breaks e funky.



THEATROOM

Cores fortes, tons limpos e arte com pinturas. Circo, teatro, pirofagia, malabares, conto improvisação, dança e vídeos arte fizeram do Teatro um novo e ousado novo stage do Boom 2008. Atualmente podemos dizer que isso realmente é um avanço em um festival psicodélico, algo que foi inovador e inusitado, sendo feito pela primeira vez não apenas no Boom, mas em festivais psicodélicos e trance. Ao menos com toda estrutura e atmosfera criada para os espetáculos. Nele também havia workshop pela manha, e os espetáculos pela noite.



LIMINAL VILLAGE

Galeria de imagens visionarias, contou com a exposição do artista Carey Thompson, além do Ecocentro, cinema, caleidoscópio interativo e outras. Também tinha internet área e o curioso Homeless, hotel para as pessoas que foram desprevenidas de barraca para camping e para a criançada o Baby Boom.