Cybermanos invadem rave em "Operação Cavalo de Tróia"
Tempo: 32:03 min
Tipo: Documentário
Veiculação: 30/05/2008
Realização: Thiago Villas Boas, Laura Taffarel e Axel Weisz
Entrevista: Marcelo Fontenele


Enquanto a câmera registra a saga por meio do recurso de visão noturna, a turma enfileirada se embrenha silenciosamente no mato. Qualquer semelhança com “Bruxa de Blair” é mera coincidência, já que, apesar de algumas imagens confusas e tremidas em plena madrugada, o documentário nacional “Operação Cavalo de Tróia” (2004), dos diretores Laura Faerman, Axel Weisz e Thiago Villas Boas, retrata as arriscadas experiências dos invasores de raves com total realismo possível.

As silhuetas dos personagens e suas histórias são instigantes. Nos arredores de uma festa rave open air, grupos de jovens tramam a rota perfeita e seguem, instintivamente, o caminho mais fácil (e perigoso) para conseguirem burlar a segurança do evento. A audácia ganha contornos ainda maiores quando há que se despistar também do faro de rottweilers, ansiosos para fazerem o trabalho para qual foram designados. Para subestimar todos estes riscos – além dos possíveis seres vivos peçonhentos que não querem ser incomodados enquanto dormem (muito menos enquanto caçam) -- e encarar o front de peito aberto, existe um motivo conflitante: amor pela música eletrônica x falta de grana. Daí por diante, toda a ação era patrocinada por um estimulante natural: a adrenalina.

Para relembrar “Operação Cavalo de Tróia”, exibido em várias praças do Brasil, como no Fórum Social Mundial de Porto Alegre e no Festival Internacional de Documentários “É Tudo Verdade”, em São Paulo, além festivais na Espanha e Inglaterra, e premiado no Festival Mix Brasil e no Festival de Cinema de Cuiabá, Psyte conversou com Axel Weisz, um dos diretores.

Como surgiu a idéia do documentário?
W: Eu era organizador da festa Avonts que depois virou Megavonts junto com o dj Dmitri e com Ricardo Costalonga. Nessas festas, começamos a ver o fenômeno dos então chamados “cybermanos” invadindo nossas festas. Fomos atraídos pela coragem e perseverança dos meninos e achamos que fazer um documentário sobre isso seria interessante.

Você pode afirmar se todas as pessoas que vocês filmaram invadindo a festa realmente não tinham condições de pagar pela entrada ou também havia gente atrás apenas nesse tipo de adrenalina?
AW: Os meninos eram bem duros e provavelmente não teriam dinheiro para pagar o ingresso cheio. Mas, o fator adrenalina estava presente e diria que mais importante que tudo.

Que tipo de crítica vocês receberam dos organizadores de festas sobre o documentário? Em geral, de que forma “Operação Cavalo de Tróia” foi recebido pelas empresas que promovem raves?
AW: Nós filmamos basicamente na Megavonts, ou seja, que conhecíamos os organizadores. Foi muito tranqüilo e eles não são daquele tipo que odeiam os invasores, que acham que tem que bater, essas coisas. Em geral dávamos risadas juntos.

Você acha que o tema ainda é atual?
AW: Eu acho que não há mais invasões em grande escala. As festas começaram a ser realizadas muito longe para esse pessoal da periferia ir. A "moda" toda maior, a novidade das raves já passou. Entretanto, quanto a mostrar a divisão social da nossa sociedade, a diferença entre quem é "VIP" e quem é excluído, acho que o filme continua atual. Rave com área vip só no Brasil, talvez seja por aí mesmo.